Lupita Nyong'o interpreta Helena de Troia em A Odisseia, novo filme do icônico diretor Christopher Nolan e um dos lançamentos cinematográficos mais aguardados de 2026, baseado no épico poema grego de Homero.
Lupita Nyong'o (Fonte: Revista Quem)
O longa teve orçamento de mais de 250 milhões de dólares e foi filmado em IMAX, além disso, o elenco conta com grandes nomes como Matt Damon, Anne Hathaway e Robert Pattinson, mas o que vem levantando discussão nas redes sociais, é justamente a escalação de Lupita Nyong'o para viver Helena.
O movimento anti-woke se dedica a boicotar produções que se alinhem com pautas como progressismo, representatividade e igualdade, e uma grande produção que traz em papéis de destaque mulheres negras como Zendaya e Lupita Nyong'o, além de um homem trans como Elliot Page, não conseguiria evitar esse tipo de campanha de perseguição.
Já foi muito discutido a questão de Zendaya e Elliot Page no longa, que estava repercutindo bastante nos dias que antecederam o lançamento do filme, e que foi abordada no artigo
A Odisseia e o movimento anti-woke, mas ainda assim, o assunto permanece rendendo.
Lupita Nyong'o vem recebendo críticas por, na percepção de alguns, não ser "bonita o suficiente" para interpretar Helena de Troia, que no poema de Homero, é descrita como "detentora de uma beleza divina e avassaladora, capaz de justificar a Guerra de Troia".
E não é necessário ir muito longe para saber que, a razão pela qual parte do público não consegue associar a atriz a personagem é em razão de sua cor, pois Lupita é uma mulher negra retinta, de pele escura e origem mexicana-queniana.
Isso se mostra ainda mais evidente quando internautas utilizam imagens de outras atrizes que já interpretaram Helena de Troia em adaptações cinematográficas anteriores a de 2026, e que são, em sua maioria, atrizes brancas, loiras e de olhos claros, com ascendência e traços europeus, para tentar diminuir ou ridicularizar Lupita.
A sociedade racista e colorista impõe o que é considerado bonito e o que é considerado feio a partir da moda, do entretenimento, do jornalismo, da cultura e até mesmo da educação, e as pessoas são doutrinadas a aceitar isso sem questionar desde tenra idade, especialmente em países miscigenados das Américas.
Em filmes clássicos de Hollywood, dificilmente os protagonistas são negros, ou melhor dizendo, dificilmente uma mulher negra é a protagonista, mas não só isso, mesmo em séries e até novelas, que são um entretenimento clássico da América Central e do Sul, o cenário resiste a mudanças.
Para uma sociedade em que o racismo é sistêmico, estrutural e está enraizado desde os primórdios da história, é muito difícil aceitar uma mulher negra em posição de admiração, de reconhecimento e de relevância, e infelizmente, não se tem perspectivas de que isso venha a mudar tão cedo.
Entre os argumentos utilizados está que Helena de Troia era grega e Lupita não é, mas vários membros do elenco não tem relação nenhuma com a Grécia, incluindo os brancos, ademais, mudanças na etnia dos personagens só incomodam quando é para dar oportunidade a um ator não-branco, pois quando um personagem é negro, indígena ou asiático e escalam um ator branco para interpretá-lo, isso não gera incômodo nenhum.
Outra alegação é de que Lupita teria uma "aparência comum", comum para quem? Comum aonde? A mulher branca, loira e de olhos azuis também é comum, principalmente na indústria do entretenimento, em Hollywood e nos EUA, onde pode-se citar Margot Robbie, Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Stephanie Cayo e tantas outras que tem aparência bastante semelhante.
A herança do racismo e da escravidão deixou no imaginário popular a ideia de que o negro é um indivíduo de menos valor, de menor dignidade, e simplesmente inferior ao branco, por esse mesmo motivo, a mulher negra nunca pode ser considerada bonita, especialmente se comparada a uma branca.
E é nesta mentalidade que adeptos do movimento anti-woke se baseiam para atacar Lupita Nyong'o, mas no fim das contas, isso só demonstra o quanto são pequenos, e a atriz, gigante em competência, talento e, é claro, beleza.
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