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Billie Eilish: "pais são preguiçosos, é por isso que eles enviam os filhos para a escola"

Em 2019, Billie Eilish, cantora estadunidense de enorme sucesso que venceu 10 Grammys e vendeu 80 milhões de álbuns em todo o mundo, concedeu uma entrevista a Pitchfork, em que deu a seguinte declaração:

A Odisseia e o movimento anti-woke

A Odisseia é o novo filme de Christopher Nolan e adaptação de um dos maiores clássicos da literatura, o longa é uma das grandes promessas do cinema de 2026 e as primeiras críticas já estão sendo publicados e classificam a obra como impressionante, a melhor da carreira do diretor e cinema de alta qualidade.

No entanto, infelizmente não são apenas os aspectos técnicos, criativos e de alcance que geram discussão sobre o filme, uma parte do público já decidiu que a obra irá fracassar, que é ruim e que não merece atenção dos espectadores, e a razão é uma só: movimento anti-woke.

Woke é a conjugação do verbo em inglês wake, em português significa "acordado" e atualmente, se tornou um termo utilizado para se referir ao despertar de um indivíduo para a justiça social, quando passa a estar ciente de problemáticas como a desigualdade, o racismo e a LGBTQIA+fobia, por exemplo.

A partir do momento em que a indústria decidiu ouvir a voz do público e compreender que alguns grupos não estavam sendo retratados na arte, literatura, mídia e entretenimento, e quando retratados, era de forma desrespeitosa, com reprodução de estereótipos ofensivos ou em papéis secundários e sem destaque, surgiu a tendência comercial de inserir nas obras, narrativas e personagens que fomentam a representatividade social.

Em resposta, surge o movimento anti-woke, que é contra a produção de obras que tragam personagens que representam membros de grupos minoritários, ou que possuam profissionais pertencentes a estes grupos, alegando coisas como "quem lacra não lucra", "não vejo obras woke" ou "se é woke vai flopar".

Neste contexto, a Odisseia de Christopher Nolan acaba sendo a mais recente vítima deste tipo de boicote, o longa traz Zendaya no papel de Athena, a atriz negra tem uma das carreiras mais promissoras e bem sucedidas da sua geração, e já se envolveu em discussões semelhantes ao interpretar MJ na franquia Homem Aranha. 

Além disso, o ator trans Elliot Page também faz parte do elenco e interpreta um soldado na obra, o que gerou uma onda de ataques transfóbicos e de ódio contra ele, que iniciou sua carreira antes de realizar o processo de transição.

Elliot Page e Zendaya

Em vez de se focar no trabalho de Elliot como ator, no seu currículo e potencial para o personagem, parte do público prefere postar fotos dele antes da transição, chamá-lo pelo nome morto e fazer bodyshaming com sua imagem, comparando-o com homens cis que também fazem parte do longa nas redes sociais.

O mesmo aconteceu quando surgiram rumores de que a atriz trans Hunter Schafer poderia interpretar a personagem Zelda em um possível live action do icônico jogo da Nintendo, e apesar da atriz de Euphoria possuir o perfil da personagem, a razão pela qual muitos foram contrários a ideia era o mero fato dela ser uma mulher trans.

Alguns tentam justificar que a razão para essa resistência em aceitar pessoas trans interpretando tais personagens reside no fato do personagem não ser trans, mas se fosse esse o caso, também haveria a mesma resistência quando alguém cis interpreta um personagem trans, impedindo que um ator que de fato é trans ocupe esse espaço e receba o trabalho. 

Isso acontece com relativa frequência na indústria do entretenimento, como quando Jared Leto interpretou uma mulher trans no longa Clube de Compras Dallas, e seu desempenho lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de 2014. Outro caso, mais recente, envolve o remake da novela brasileira Dona Beja, em que o ator não-binário Pedro Fasano interpretou uma mulher trans, sem pertencer a esta parcela populacional.

O movimento anti-woke boicota por conveniência e o que gera o incômodo é a representatividade de grupos minoritários, existem diversas provas disso, no live action de A Pequena Sereia e de A Branca de Neve a situação foi parecida, a atriz protagonista ser não-branca gerou grande incômodo e a justificativa era que a personagem não possuía essa etnia originalmente, mas quando a Scarlet Johansson interpretou Major Motoko Kusanagi no live action de Ghost in the Shell a troca de etnia não incomodou, quando é um ator branco interpretando um personagem de outra etnia, isso não é problema. 

Ainda em A Branca de Neve, a atriz Gal Gadot foi extremamente criticada pela qualidade de sua atuação, o que não é novidade para ela que sofre críticas recorrentes relacionadas a sua técnica interpretativa, inclusive em seu mais recente projeto Na Mão de Dante, sendo que seu último grande sucesso foi Mulher Maravilha de 2017. Mesmo assim, o movimento anti-woke usou sua imagem e nome para atacar avidamente Rachel Zegler, que é de origem latina, filha de pai polonês e mãe colombiana.

O problema não é não gostar da escalação de elenco do filme, e sim tentar humilhar e diminuir o trabalho, a dignidade e esforço dos atores em detrimento de sua orientação sexual, cor/etnia ou até mesmo gênero, isso deixa de ser uma simples opinião e passa a ser ódio.

Ver homens trans em posição de destaque e evidência na mídia é extremamente incomum, são poucos os lançamentos de grande projeção que trazem um homem trans no papel protagônico, e até mesmo em papéis coadjuvantes ou secundários também não se vê tanto, principalmente em obras de sucesso.

Elliot Page tem o direito de existir e de ocupar papéis de destaque, sua orientação sexual e seu gênero não devem ser utilizados para invalidá-lo ou oprimi-lo, e se houverem críticas, que sejam apenas dirigidos a aspectos profissionais e técnicos, e não de caráter pessoal.

A Odisseia chega aos cinemas brasileiros em 16 de julho de 2026 e a previsão é de que seja um grande sucesso, as críticas iniciais estão sendo extremamente positivas e elogiosas e levando em consideração que foi uma produção de investimento gigantesco e filmado em IMAX, não se espera nada menos que isso.



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