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Billie Eilish: "pais são preguiçosos, é por isso que eles enviam os filhos para a escola"

Em 2019, Billie Eilish, cantora estadunidense de enorme sucesso que venceu 10 Grammys e vendeu 80 milhões de álbuns em todo o mundo, concedeu uma entrevista a Pitchfork, em que deu a seguinte declaração:

Violência contra crianças no Brasil

Em Porto Alegre (RS), um missionário estadunidense chamado Dandre Jermaine Grayson, foi preso após espancar o próprio filho, Oliver Golden Grayson, de 3 anos, até a morte, motivado pelo fato do menino não ter lhe respondido um "bom dia".

Missionário Dandre Jermaine Grayson com esposa e filho (Fonte: IG)

O crime foi cometido com requintes de crueldade, Dandre desferiu socos no abdômen e no peito da criança, além de ter batido sua cabeça no chão durante o ataque, o menor foi socorrido e levado para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu e teve morte cerebral confirmada.

No Paraná, um pai caminhava com os dois filhos, um menino de 5 anos e uma menina de 3, quando de repente, chutou o rosto da caçula, em público e diante de outras pessoas, deixando o filho mais velho em choque.

O personal trainer José Luiz, dono de uma academia que ficava próxima ao local do crime, foi quem interrompeu a ação e impediu que o pai seguisse agredindo a própria filha, mas tal ato lhe rendeu ameaças, pois o agressor teria lhe dito: "fica na tua porque não é com você e vai sobrar para você".

Após ser preso, o pai disse em depoimento que a agressão foi motivada pelo fato de que a menina de 3 anos estava "berrando na rua", que ela sempre "chora ou berra direto assim, escandalosamente" e que já havia pedido que a criança parasse, mas não adiantou.

Outro caso, em Minas Gerais, foi de um pai de 41 anos estacionou o carro em via pública, retirou sua filha, uma criança de 5 anos em investigação de Transtorno do Espectro Autista (TEA) do banco e utilizou um cinto de segurança para agredi-la.

Em Fortaleza, no Ceará, uma bebê de 10 meses chamada Helena Almeida morreu por asfixia, o caso ainda está em investigação, mas de acordo com o depoimento da mãe, Ysabelle Rodrigues, no dia dos fatos foi a uma confraternização na casa de parentes do namorado com quem se relacionava a poucos dias, e após a festa, seguiu para um apartamento onde a confraternização se estenderia.

No local, após colocar a criança para dormir em uma cama, teve uma discussão com o namorado e perdeu a consciência (?) em seguida, ao acordar, viu a filha em uma posição diferente da que havia deixado antes e o namorado com o corpo sobre o dela (provavelmente foi assim que a bebê morreu asfixiada, devido ao peso do corpo do homem adulto sobre o seu).

Todos esses casos escancaram uma realidade cruel de violência sistêmica e normalizada contra crianças no Brasil, em que muitas vezes adultos (incluindo os próprios pais) não vêem os menores como seres de direito a igualdade, humanidade e empatia.

Se um filho der um beliscão no braço de seu pai idoso porque ele se recusou a comer, isso é um absurdo completo; se no processo de integração de um novo funcionário em uma empresa o seu superior lhe der um tapa porque cometeu um erro, isso é inaceitável e processo na certa; se um marido, durante uma discussão, se estressar com a esposa e lhe der um chute, merece ser preso, mas se uma criança é agredida frequentemente em casa pelos próprios pais, isso é considerado dar educação.

Bater não é educar, sob hipótese alguma, bater causa medo de sentir dor, vergonha e constrangimento, por isso, em alguns casos, a criança pode passar a parecer mais obediente e disciplinada após episódios de violência, mas na realidade, isso é uma impressão falsa.

Dar uma orientação ou ordem a uma criança não é garantia de que o menor será capaz de compreendê-la e segui-la, justamente por sua falta de conhecimento de mundo e limitações cerebrais, cognitivas e intelectuais que são naturais da idade.

Crianças não possuem capacidades cognitivas como a de pessoas adultas, não receberam plena civilidade ainda e portanto, não sabem o que é certo ou errado, o que pode ou não pode, e o que devem ou não fazer, cabe aos pais ou responsáveis ensinar.

A negligência e a omissão também são formas de abandono e de maus-tratos, pois crianças demandam atenção, cuidado e supervisão constantes, precisam estar sempre assistidas, e acima de tudo, precisam ser compreendidas dentro de sua condição de INFÂNCIA.

"Ah mas e o pai?" A responsabilidade sobre a segurança, a saúde e a integridade da criança é de quem está supervisionando, olhando e cuidando dela NO MOMENTO, se a guarda é unilateral é da mãe, a responsabilidade é dela, se é do pai, então é dele, se é compartilhada, da pessoa com quem o menor está na ocasião dos fatos, e dá no mesmo se for da avó ou de outrem.

Não faz sentido mencionar uma pessoa que não teve envolvimento direto nenhum em uma ocorrência, e que sequer tinha como saber as circunstâncias dos fatos ou mesmo imaginar que o filho estaria correndo perigo, a responsabilidade é de quem está com a criança fisicamente, no mesmo ambiente, no momento do perigo.

"Ah mas não posso recomeçar a minha vida em um novo relacionamento?" Não, recomeçar a sua vida envolve recomeçar também a vida do seu filho, que não é capaz de decidir nem de viver por conta própria, sendo assim, se o seu novo relacionamento coloca a segurança, a saúde e o bem estar de uma criança em risco, ele deve ser evitado. 

Não se leva criança para casa de desconhecidos, muito menos se permite que um homem estranho durma na mesma cama que um bebê que não é nada dele, não se consome álcool na presença da criança, o adulto responsável deve permanecer sóbrio, são e atento o tempo todo.

"Ah mas a criança grita e berra o tempo todo!" Sim, crianças gritam e isso é natural, o grito é uma forma de se expressar, de mostrar como está se sentindo, simplesmente falar para parar de gritar pode não ser o suficiente para cessar o comportamento, encaminhar a criança para alguma atividade ou distrai-la para que se foque em outra coisa e pare naturalmente de gritar pode ser uma alternativa viável.

Os gritos constantes também são frequentemente associados a estereotipias, que são comportamentos, ações, posturas ou falas repetitivas e sem aparente razão apresentados por pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autitsta), principalmente na infância.

"Ah, eu falei com a criança e ela não me respondeu!" As capacidades de comunicação de uma criança são muito mais limitadas do que as de uma pessoa adulta, assim como as de escuta e compreensão, com o passar do tempo e os estímulos certos, naturalmente a criança irá passar a conversar melhor, e dar respostas mais completas.

Se isso não ocorrer, podem ser necessárias avaliações com neuropediatra, fonoaudiólogo, psicopedagogo e/ou outros profissionais especializados em desenvolvimento infantil para, em conjunto, encontrar a razão por trás do atraso.

Ser pai e mãe é extremamente difícil, além das demandas financeiras e materiais que envolvem os cuidados com uma criança, o aspecto emocional também é extremamente sensível, pois ter filhos traz uma mudança drástica a rotina, estilo de vida e padrões do indivíduo e lidar com crianças pode ser especialmente desgastante.

Por isso é tão necessário o tema da educação sexual e do planejamento familiar, para garantir que as pessoas possam refletir cuidadosamente antes de ter filhos, se possuem condições de criá-los e cuidá-los como devem, não apenas no aspecto financeiro e material, mas mental e psicológico também.

Uma vez que a criança já está nascida, se torna ainda mais difícil realizar qualquer tipo de planejamento ou mudança, pois a criança limita muito as possibilidades em torno da vida dos pais, justamente por precisar de tanta atenção e apoio contínuo.

As autoridades devem estar atentas as necessidades de crianças que sofrem com pais violentos, negligentes e/ou omissos, pois não são incomuns os casos em que existem denúncias e um histórico de abuso infantil, mas as crianças não são removidas do lar abusivo e seguem sendo vítimas dos próprios pais e família.

Se você conhece ou presenciou um caso de maus-tratos ou abuso infantil:
Ligue para a Polícia Militar: disque 180 e solicite uma viatura, se possuir informações sobre endereço, nome da criança, dos pais, assim como características físicas e data da ocorrência, isso será de grande ajuda, mas se não possuir, denuncie mesmo assim.
Disque 100: é o contato oficial para denúncias de violência contra a criança, e também um meio de solicitar uma verificação de bem estar, inclusive ao conselho tutelar.

Você pode realizar a denúncia de modo totalmente sigiloso e anônimo, não é obrigatório se identificar ao realizar a ligação; mas se não se importar, também pode ir presencialmente até uma delegacia para realizar a denúncia pessoalmente.

Não fique calado! 

Não carregue um peso na consciência caso o pior aconteça!



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