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Billie Eilish: "pais são preguiçosos, é por isso que eles enviam os filhos para a escola"

Em 2019, Billie Eilish, cantora estadunidense de enorme sucesso que venceu 10 Grammys e vendeu 80 milhões de álbuns em todo o mundo, concedeu uma entrevista a Pitchfork, em que deu a seguinte declaração:

O que se aprende com o caso do BTS?

O kpop está em uma crescente ascensão faz mais de uma década, a música pop coreana trabalha em um padrão estabelecido por Lee SooMan, e sua empresa SM Entertainment, que começou se baseando em um formato popular no Japão, o jpop, com grupos musicais que cantavam e dançavam música pop, e se inspirando também em gêneros dos EUA, como pop, hip-hop e R&B, nos anos 2000.

Entre os anos de 2010 e 2020, grupos como BTS, EXO, TWICE e BLACKPINK furaram a bolha e conquistaram o grande público internacional, se tornando referência global de música, moda e influência midiática, além é claro, do fenômeno PSY, que já havia aberto as portas com seu grande hit Gangnam Style.

O BTS em específico foi, sem sombra de dúvidas, o maior sucesso do kpop recente, batendo recordes e alcançando um nível de sucesso e projeção que nenhum outro artista no cenário jamais havia atingido antes, e estabelecendo uma base de fãs fiel, assídua e diversa, que conta com pessoas de diferentes gêneros, etnias e idades.

BTS (Fonte: iMDb)

Em 2026, pela primeira vez na história, a Copa do Mundo, maior campeonato esportivo do planeta, teve um show no intervalo, formato semelhante ao Super Bowl da NFL, e contou com artistas como Madonna, Justin Bieber, Shakira, The Muppets e BTS.

Não é a primeira vez que o BTS participa de um grande evento esportivo, pois JungKook já se apresentou sozinho na Copa do Mundo de 2022, que ocorreu no Catar, na ocasião, o main vocal, lead dancer, sub rapper e center do grupo cantou a faixa Dreamers e foi aclamado por seu desempenho.

Agora, novamente, o BTS volta a se apresentar na Copa do Mundo de 2026, mas como um grupo completo, em uma performance que contou com todos os 7 membros: Jin, SUGA, J Hope, RM, V, JiMin e JungKook, e juntos cantaram o super hit Dynamite, que foi #1 na Billboard Hot 100 EUA em 2020, e é um dos maiores sucessos do grupo.

Mas o que deveria ser um momento de celebração e alegria, principalmente para o Brasil, que carrega uma das maiores parcelas de fãs do BTS (o fandom chamado Army), se transformou em um episódio lamentável também.

Influenciadoras digitais brasileiras fizeram ataques xenófobos e homofóbicos contra os membros do grupo pelas redes sociais durante sua apresentação no intervalo da Copa do Mundo, gerando grande repúdio e indignação entre os fãs.

Pietra Bertolazzi publicou nos stories de seu Instagram o seguinte texto: "De tudo que vi hoje na final da copa, nada me chocou mais do que saber que um grupo de homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas que me deram verdadeira vergonha alheia (não sei quem são e não quero saber) é uma das maiores referências que essa geração atual tem. Não é possível que a maioria não perceba o quão grave isso é."

Este texto possui muitas camadas, mas primeiramente pode-se abordar a homofobia recreativa. Qual é o problema de um homem ser "afeminado", desmasculinizado, andrógeno, ou simplesmente não atender aos padrões de masculinidade impostos pela sociedade?

O que é considerado "masculino" e "homem de verdade", nada mais é do que uma construção social, imposta, muitas vezes com uso de violência, a meninos e rapazes desde bebês, e capaz de mutilar a personalidade, sexualidade e individualidade da pessoa, causando traumas e dificuldades no amadurecimento que prejudicam a saúde física e mental.

Ademais, qual o problema de um homem ser vaidoso? É esse tipo de mentalidade que cria tabus culturais que fazem com que alguns homens não se lavem nem usem produtos cosméticos, incluindo até mesmo a genitália e o ânus, com justificativas como "quem limpa a casa espera visita", sendo que a boa higiene é uma questão de saúde pública, e a vaidade favorece a auto-estima masculina e estimula o auto-cuidado, não tendo nada de ruim.

Com relação ao BTS ser uma das maiores referências que a geração atual tem, qual o problema nisso? O BTS é formado por sete rapazes sul coreanos que foram revelados por uma produtora pequena, passaram muitas dificuldades no início da carreira para chegar onde chegaram.

Dividir um único quarto entre todos os sete, treinar por várias horas seguidas, se apresentar e trabalhar sem receber a devida remuneração, ficar distante da família, tudo isso para alcançar um objetivo, fato que é abordado na faixa Tomorrow (Skool Luv Affair), e no fim das contas, felizmente conseguiram, e conquistaram o sucesso que tanto lutaram por.

Entre os membros do BTS existem compositores musicais, cantores, rappers, dançarinos, atores e produtores musicais, ou seja, artistas de grande talento, competência e capacidade técnica, e além disso, alguns encontraram tempo até mesmo para fazer uma graduação em meio a carreira pública e midiática.

O que o BTS transmite para essa geração é uma mensagem de força, resiliência e coragem, com sua história e suas músicas, inspiram os fãs a não desistir dos seus sonhos, a se reerguer mesmo em meio as dificuldades e que talento e trabalho duro rendem bons frutos, isso é um exemplo e uma referência excelentes para essa geração ter na juventude.

Mas e quanto a Pietra Bertolazzi? Quem é ela? Bem, eu não sei e não quero saber, assim como a esmagadora maior parte do público do Brasil e do mundo também não, pois diferente do BTS, é uma personalidade que não agrega em nada no aspecto social, cultural e político em aspecto nenhum.

Ao escolher não se desculpar nem se retratar por essas declarações patéticas, a única coisa que Pietra Bertolazzi demonstrou é que é alguém preconceituosa, pequena e intolerante, e foi assim que se apresentou as muitas pessoas que não faziam ideia de quem ela era até mencionar o BTS.

Mas ela, infelizmente, não foi a única a expressar discursos lamentáveis sobre o grupo, outra influenciadora digital chamada Eduarda Vallery, publicou também nos stories do Instagram: "Mano ninguém merece um bando de kpop viadinho. Cadê o Bruno Mars aqui? Cadê?"

Novamente, homofobia recreativa, levando em consideração que acabamos de sair de junho, o mês dedicado ao orgulho LGBTQIA+, no qual entidades e órgãos se dedicam a conscientização quanto a pautas de sexualidade e gênero, assim como a combate a discriminação, preconceito e ódio contra pessoas LGBTQIA+.

"Viadinho" é um termo pejorativo para se referir a um homem gay, mas nenhum dos membros do BTS é gay, e ainda que fosse, novamente, qual o problema se algum deles fosse? Em que isso afeta a vida dos outros? É uma questão pessoal que não diz respeito a mais ninguém, um direito individual e humano que não torna o homossexual menos nem pior do que ninguém.

Discursos homofóbicos como esse fazem com que muitos jovens garotos e rapazes sofram bullying nas escolas, intolerância dentro de casa, violência nas ruas, sejam discriminados na busca por emprego e tenham seus direitos cerceados todos os dias, justamente por isso é crime no Brasil, e uma conduta inaceitável.

Por fim, com relação ao Bruno Mars, é um artista de grande sucesso, sem sombra de dúvidas, mas não faz muito lançou seu último álbum, The Romantic que conta com o single I Just Might, e recebeu críticas por fazer "a mesma música há dez anos" e "entregar mais do mesmo", permanecendo em sua zona de conforto artisticamente falando.

O BTS é um grupo musical bastante versátil, que já trabalhou diversas sonoridades ao longo de sua carreira e de seus projetos, mas isso não os torna mais e nem melhor do que Bruno Mars, os faz apenas artistas diferentes, com propostas diferentes, e há público para as duas propostas.

Sequer faz sentido comparar Bruno Mars a BTS, podendo considerar essa ideia até mesmo um pouco ignorante, pois demonstra um desconhecimento a respeito dos artistas e de suas carreiras, históricos e formato de trabalho, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Após receber uma enxurrada de críticas e ataques, Eduarda Vallery desativou o perfil no Instagram, mas não se desculpou tampouco se retratou pelas mensagens ofensivas, desnecessárias e de teor odioso e homofóbico até o momento.




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