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Billie Eilish: "pais são preguiçosos, é por isso que eles enviam os filhos para a escola"

Em 2019, Billie Eilish, cantora estadunidense de enorme sucesso que venceu 10 Grammys e vendeu 80 milhões de álbuns em todo o mundo, concedeu uma entrevista a Pitchfork, em que deu a seguinte declaração:

O debate em torno do voto feminino

O influenciador Paulo Figueiredo, que é um aliado próximo ao senador e candidato a presidência Flávio Bolsonaro, causou imensa polêmica recentemente após afirmar que "mulheres votam estatisticamente muito mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido".

A declaração tem como objetivo atacar a ex primeira dama Michele Bolsonaro, que expôs um conflito com Flávio Bolsonaro, filho mais velho de seu marido, em um vídeo nas redes sociais e desde então vem sofrendo ódio e ataques de ordem machista e misógina.

A ex-primeira dama Michele Bolsonaro (Fonte: CNN Brasil)

No entanto, a ideia de que mulheres não deveriam ter direito a voto e que o voto da família deve ser decidido pelo marido não é de Paulo Figueiredo e muito menos nova, é na verdade, um ideal conservador e tradicionalista defendido a séculos pela direita extremista, e que já foi uma realidade tempos atrás.

O direito ao voto feminino não foi algo dado ou cedido, foi na verdade uma conquista adquirida após muita luta por parte de movimentos socio-políticos de emancipação feminina comandados por mulheres que protestaram e exigiram cidadania e igualdade de direitos.

Até 1916 o Código Civil brasileiro não permitia a mulher casada trabalhar sem permissão do marido, tampouco administrar bens, e além disso, em caso de falecimento do homem a viúva não era herdeira necessária, ou seja, se não estivesse nomeada no testamento, não tinha direito aos bens e dinheiro adquiridos durante o matrimônio.

Foi apenas em 1932 que a mulher passou a ter o direito de votar, e só dois anos depois, em 1934, esse direito foi incorporado a Constituição Federal da época, mas em caráter facultativo, ou seja, sendo opcional, voluntário e dependendo unicamente da escolha individual.

Quando o Estatuto da Mulher Casada foi instituído, pela Lei 4.121 de 27 de agosto de 1962, a mulher passou a ter direito a trabalhar, a realizar movimentações financeiras e gerenciar bens sem a permissão ou supervisão do marido.

Pouco mais tarde, em 1965, o voto feminino passou a ser obrigatório, exatamente como o do homem, mas somente com a Constituição Federal de 1988 que homens e mulheres passaram a ser considerados indivíduos em igualdade de direitos e deveres, incluindo no que se refere ao casamento, em que também passaram a ser exercidos igualmente por ambos os cônjuges.

Nos Estados Unidos, movimentos masculinistas e de extrema direita vem discutindo a ideia de que mulheres deveriam perder o direito ao voto, com apoio de lideranças religiosas e grupos de ultraconservadores, a ideia não é apenas uma teoria por lá, o presidente Donald Trump propôs uma reforma eleitoral que estabelece novos obstáculos ao exercício deste direito.

O influenciador de ultradireita Nick Fuentes chamou a atenção quando, durante participação em um podcast, recebeu a pergunta "que direitos você tiraria das mulheres?" e respondeu "eu tiraria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres com certeza".

Para combater discursos e iniciativas que representam ameaça e retrocesso aos direitos e a emancipação feminina no Brasil, é importante que as mulheres busquem se engajar em movimentos socio-políticos femininos, que estudem, trabalhem, exerçam autonomia, e também que se candidatem e votem em outras candidatas mulheres.


A LIBRISIL

Librisil é um blog mantido pela escritora independente Sil Carvalho, e leva o mesmo nome da loja de produtos literários da autora.

Sil escreve livros de romance e já possui dois originais publicados, sendo o primeiro um romance contemporâneo chamado Intoxicado e o segundo um romance de época chamado O Bom Filho a Casa Torna.

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