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Billie Eilish: "pais são preguiçosos, é por isso que eles enviam os filhos para a escola"

Em 2019, Billie Eilish, cantora estadunidense de enorme sucesso que venceu 10 Grammys e vendeu 80 milhões de álbuns em todo o mundo, concedeu uma entrevista a Pitchfork, em que deu a seguinte declaração:

O infeliz atentado racista sofrido por Mbappé

No jogo em que ocorreu a derrota e eliminação do Paraguai pela seleção francesa na Copa do Mundo, o goleiro Orlando Gill tentou cumprimentar o atacante Kylian Mbappé no fim da partida, mas acabou sendo ignorado por ele que se dirigiu a torcida francesa para comemorar, e devido a isso, o paraguaio se irritou e atirou a bola contra o atacante da França em retaliação.

Kylian Mbappé (Fonte: LANCE!)

Após este episódio, uma senadora do Paraguai chamada Celeste Amarilla cometeu racismo contra Kylian em publicações na rede social X (antigo Twitter), nas mensagens compartilhadas ela ofende a honra, a moral e a pessoalidade do jogador francês.

Segue as publicações feitas por Celeste se referindo a Mbappé:

"Bruto, nem aprendeu a escrever, em vez de leite materno, chupava cocos e o mais instruído que ouvia eram chimpanzés. Você deveria ter mostrado o dedo pro Orlando Gill, eu faço isso no senado e não acontece nada !!!"
"A dela é pior! Olha o que ela pariu! Pelos céus, não me deixem ir ao estádio porque eu vou virar torcida organizada, mas eu não aguento esse ressentido!"
"Camaronês colonizado, fingindo duramente ser francês, ressentido, novo rico, prepotente e feio. Estava nervoso e morto de medo o jogo inteiro, como todo o seu time, não conseguiram marcar nem um gol, ganharam de ped...
A única coisa que muitos cobramos de Albirroja é não ter dado um tapa de mão aberta nele depois que o jogo acabou. E isso que não sou fã de futebol"

Em resposta, Kylian Mbappé publicou uma mensagem também pelo X (antigo Twitter) em que disse:
"Madame Celeste Amarilla,
Você é uma mulher desprezível e indigna da sua função.
Você não representa o Paraguai, esse país que transpirou paixão e honra ao longo de toda a competição. Por sua inconsciência e seu racismo descomplexado, o mundo inteiro já esqueceu o percurso e o esforço histórico que seus jogadores realizaram durante esta copa do mundo, dando lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país.
Eu nunca deixarei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo."

A ministra dos esportes da França, Marina Ferrari, também veio a público por meio de uma declaração enviada à imprensa para defender Mbappé, dizendo que:
"Estou completamente escandalizada com as declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla. A França condena com a maior firmeza os ataques racistas dos quais Kylian Mbappé foi alvo. Essas declarações são abjetas, indignas e ainda mais inaceitáveis por partirem de uma responsável política. Diante do racismo, não permaneceremos em silêncio. Ao atacar Kylian Mbappé, a senadora ataca tudo o que nosso capitão encarna e tudo o que nosso país defende: a liberdade, a igualdade e a fraternidade."

Depois da imensa repercussão de suas falas e da onda de críticas que recebeu por sua postura racista, baixa e de má perdedora, Celeste decidiu mudar de estratégia e tentar inverter a situação, para responsabilizar Mbappé, de algum modo, pelo que aconteceu. 

Novamente no X (antigo Twitter), a política do Paraguai publicou uma carta aberta que dizia:
"O problema é entre eu e você. Eu nunca disse nada contra a França. Pelo contrário, eu me posiciono ao lado da França. Estudei em uma escola francesa desde os 2 anos até os 17, onde completei minha educação. Eu sou quem sou graças ao Collège de l’Immaculée Conception e à educação que ele me proporcionou. Nós cantávamos La Marseillaise e honrávamos a bandeira francesa ao lado da nossa. Eu falo francês e amo visitar a França. No último Natal, passei as férias com minha família em Courchevel, e nós celebramos o Ano Novo em Saint-Tropez. Isso não tem nada a ver com a França. O problema é com você. Sua arrogância e desprezo me irritaram muito antes da partida, quando você disse: ‘Se tivermos que colocar as mãos na sujeira, então vamos fazer isso.’ Nós não somos estúpidos. Entendemos perfeitamente que, com ‘a sujeira’, você se referia à equipe paraguaia, e a equipe paraguaia representa todos nós. Depois, você disse que ia remover nossa maquiagem. Nós entendemos isso também. Todo o Paraguai ficou em silêncio, inclusive eu. Nós aguentamos.
Durante a partida, sua arrogância foi óbvia. Seu desprezo por cada jogador paraguaio era claro, como se eles estivessem abaixo de você. Sem nem cobrir a boca, você gritou: ‘La concha de tu madre’, um insulto extremamente ofensivo na América Latina, e você sabe disso.
Finalmente, você demonstrou total desrespeito pela saúde do nosso goleiro. Isso é algo que simplesmente não se faz. O respeito entre rivais após uma partida é quase sagrado, na guerra e na paz, na derrota e na vitória. No entanto, você se recusou a apertar a mão dele e gritou sua vitória na cara dele. Em um único momento, você exibiu desprezo, arrogância e falta de maneiras. Isso me machucou, machucou todo o meu país e machucou profundamente. A França deve responsabilizá-lo porque é uma nação de honra, com séculos de história e savoir faire (saber fazer).
Meus posts foram escritos no calor do momento, com meu sangue fervendo, o sangue de uma herança mista, uma bela mistura de ancestralidade indígena e espanhola que corre em minhas veias. Eu os escrevi enquanto via você zombar daqueles extraordinários jogadores paraguaios que lutaram como iguais até o apito final. No entanto, eu me arrependi imediatamente de responder a você com os mesmos insultos que eu mesma recebo. Percebi que estava repetindo exatamente o comportamento que desprezo, então deletei o post. Eu entendo que minhas palavras o ofenderam porque a humilhação dói.
Agora eu exijo que você também retrate suas declarações e se desculpe comigo. Eu não tolerarei sua violência também. Você não me conhece. Você não tem ideia de quem eu sou, e você não tem o direito de dizer que EU SOU UMA MULHER DESPREZÍVEL, INDIGNA DO CARGO QUE OCUPA.
Eu sou uma Senadora da Nação Paraguaia, eleita pelo povo. Antes disso, eu fui uma Deputada Nacional, também eleita pelo povo. Milhares de homens e mulheres paraguaios votaram em mim e me consideram sua voz. Meu dever primordial é falar pelo povo paraguaio, dizer o que eles não podem dizer e defender meu país com minha vida, se necessário.
Eu represento meu país porque fui livremente eleita. Fui escolhida em eleições democráticas para ajudar a fazer suas leis e ser sua voz. Você não tem ideia do que significa ser eleito para defender sua nação e representar seu povo.
Quem é você para me chamar de indigna ou desprezível quando nem me conhece? Isso é violência de gênero flagrante. Isso é violência política contra uma mulher que conquistou sua posição pelo voto democrático de seu povo. Você me insulta porque sou mulher. Você ataca minha dignidade como mulher e como representante política.
Retrate suas declarações, honre sua cidadania francesa e peça desculpas. Caso contrário, eu posso buscar ação legal por violência de gênero.”

A postura da senadora Celeste Amarilla é o que, infelizmente, acontece com muita frequência quando uma personalidade pública tem um erro apontado e é criticada, se vitimizar e tornar a situação sobre si mesma, em vez de simplesmente reconhecer a problemática por trás de seus atos e palavras e buscar se retratar, fica dando voltas e falando de si mesma.

Pouco importa para Mbappé ou para qualquer pessoa onde ela estudou, quem a criou, como viveu ou para onde viaja ou deixa de viajar, dizer que o jogador francês "chupava cocos" e "vivia entre chipanzés" é associar o homem negro a macacos, prática racista típica e que se repete a exaustão no futebol.

A discussão não é sobre ela, sua vida ou como se sente, e sim sobre suas ações desumanas e palavras criminosas e o impacto que elas possuem não apenas na vida de Mbappé, mas também na de outras pessoas negras que se identificam com ele.

Na carta aberta ela diz "o problema é entre eu e você" mas não é, pois o racismo se caracteriza justamente pela ideia de que grupos étnicos são inferiores perante outros, e quando ataca Mbappé, ataca a todas as pessoas negras.

Mbappé não é camaronês, ele é nascido na cidade de Paris, filho de pais imigrantes (mãe argelina e pai camaronês), no subúrbio chamado Bondy, possui nacionalidade francesa de nascimento, sem necessidade de quaisquer processos de naturalização. E ainda que, por acaso, fosse francês naturalizado, qual o problema nisso? 

É totalmente inaceitável chamar uma pessoa de "colonizado" com o objetivo de diminuir, humilhar e fazer pouco, nenhum povo ou região é colonizado de livre e espontânea vontade, colonizado é aquele que é vítima de colonização (invasão, ocupação, controle e domínio de um povo sobre o outro), sendo o cúmulo do mal caratismo atacar alguém usando esse termo, principalmente se levar em consideração que o Paraguai foi colônia da Espanha e Celeste é paraguaia, portanto, descende e representa um povo que foi colonizado.

Com relação as acusações de violência de gênero, são tolices que buscam descredibilizar Kylian apenas, pois a violência de gênero ocorre quando motivada em razão da vítima ser mulher, e não é este o caso, pois "mulher desprezível, indigna do cargo que ocupa" se refere ao comportamento, e não ao indivíduo em si, podendo tranquilamente ser dirigido a um homem que cometeu racismo em vez de uma mulher, na mesma circunstância, sem perder o sentido. 

Tentar utilizar a violência de gênero, assim como o machismo e a misoginia para invalidar o discurso de Mbappé apenas esvazia a pauta e faz parecer oportunismo barato, pois é verdade que uma pessoa racista não é digna de ser política no mundo globalizado, político e diverso em que vivemos, nem no Paraguai nem em nenhum país, assim como é desprezível de fato ofender uma pessoa se utilizando de sua cor, etnia, nacionalidade e ancestralidade. Kylian não foi machista ao afirmar isso, disse simplesmente a verdade.

Tanto é que, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos reforçou novamente a razão do jogador francês ao declarar, por meio do porta voz Thameen Al Kheetan, apoio a ele após o caso, declarando:
"As declarações racistas e desumanizantes dirigidas ao jogador francês Kylian Mbappé pela senadora paraguaia Celeste Amarilla são desprezíveis e, infelizmente, não constituem um caso isolado.
Esses episódios de racismo refletem um fenômeno mais amplo que afeta o futebol e, de forma mais geral, o esporte."

As acusações de arrogância e prepotência são os clássicos argumentos que sempre são dirigidos a um negro em posição de poder, e relembra novamente a icônica entrevista da atriz brasileira Taís Araújo no podcast Quem Pode, Pod de Giovana Ewbank e Fe Paes Leme, em que ela disse já ter ouvido de um colega de trabalho branco a seguinte frase: "Engraçado, eu não conheço nenhum negro bem sucedido que não seja prepotente e arrogante!", em resposta, ela teria dito "Vem cá, Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Será que é você que não está acostumado a ver negros em lugares de poder e você só entende negro em lugar de subserviência?".

Um negro que se impõe e anda de cabeça erguida, se colocando de igual para igual, sem abaixar a cabeça ou se sentir menos, incomoda muito a sociedade racista, especialmente no continente americano que foi onde ocorreu a escravidão negreira.

E assim começam a dizer que ele é prepotente, arrogante, metido, que humilha os outros e trata com desprezo, mas será que é isso mesmo? E se fosse um jogador branco com as exatas mesmas atitudes, será que Celeste Amarilla teria se revoltado tanto e o ofendido como fez? É certeza absoluta que não, pois o que de fato a incomodou não foram as atitudes ou declarações de Mbappé, e sim o fato delas terem partido de um homem negro. 

É mais que patético Celeste exigir retratações e pedidos de desculpas depois dos ataques racistas e baixos que fez publicamente contra Mbappé, na realidade, a resposta do atacante francês não chegou nem perto de baixar o nível e ofender verdadeiramente a senadora da mesma forma que ela fez com ele e todo o povo negro.

Kylian além de ser um excelente jogador de futebol, se mostra também uma pessoa exemplar, pois há anos mantém uma postura reativa e combatente com relação ao racismo, tendo inclusive, defendido e apoiado o jogador brasileiro Vini Jr quando, em um jogo entre Real Madrid e Benfica, o jogador Prestianni o chamou de macaco.

Na ocasião, Mbappé declarou em entrevista:
"O número 25 (Prestianni), não quero falar o nome dele porque ele não merece, começou a dizer palavras inaceitáveis. E depois meteu sua cara dentro da camisa para que as câmeras não captassem o que ele dizia e disse cinco vezes que Vini é um macaco. Eu, Vini e muitos jogadores do Real Madrid perdemos o controle declarou."

Posteriormente, também publicou no X (antigo Twitter) a mensagem:
"Dança Vini, e por favor nunca pare.
Eles nunca nos dirão o que devemos ou não devemos fazer."

Por ser uma figura de enorme influência global, a postura anti-racista que Kylian Mbappé demonstra é inspiradora e reflete em todos os grupos étinico-minoritários que sofrem diariamente a dor do racismo sistêmico e estrutural, além de convidar a reflexão sobre este tema tão importante que sempre retorna.



A LIBRISIL

Librisil é a loja de produtos literários da escritora iniciante Sil Carvalho, lá você encontra produtos personalizados com base em suas obras, sendo que atualmente a autora possui dois originais publicados de forma independente na Amazon. 

Em ambos os livros, as protagonistas femininas são mulheres negras que enfrentam o racismo e estigmatização que a sociedade brasileira impõe a esta população, sendo Intoxicado um romance contemporâneo e O Bom Filho a Casa Torna um romance de época.

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